terça-feira, 29 de junho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Quando as linhas insistem
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Desejos
O desejo vivo, o anseio eterno.
Não procuro a dor gratuita, mas torno-a banquete
Para assim desfrutar o açúcar do seu sangue amargo.
Faço do açoite a punição perfeita para meus pecados
E purifico-me por teu amor pagão.
Caminho entre a imundície do mundo à buscar prazeres ainda intocados.
Não escolho-te por tua pintura, mas por teu rosto pintado.
É uma pose que desejo, o teu corpo de amanhecer.
O olhar que queima, as mãos que elevam ao renascer
Arrancaria tuas máscaras menos a última,
Para que nunca venha a sentir-se totalmente nua.
Quero-te anjo caído,
Um doce demônio de asas podadas.
Quero-te para o mundo...
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Kidult
Sou tudo que desejo.
O guri que fala sério e o amor que retorna ao zero.
Sou tudo que detesto.
O profissional de fala firme e o leigo que não se leva à sério.
Sou aquele que destruo todos os dias pelo prazer de construir mais tarde.
Por: Yuri Pospichil
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Minhas melhores cores
Coberta apenas por beijos e amores plenos.
E como me encantaria desenhar-te um sorriso
Enquanto dormes teu sono de rainha,
Só para depois apagar-te dos olhos as lágrimas
E pincelar sem medo, cores em teu coração.
Faria isso enquanto mergulho minhas mãos em tinta fresca
para marcar-te o corpo com carinho.
Terias de mim o meu melhor,
mas nunca a perfeição.
Te amaria como bom mortal que sou
E erraria para na cama lhe pedir perdão.
Te ajudaria a cuidar da casa
e manter as plantas sempre molhadas.
Por isso só peço-te que não demores,
Para que não acabe por encontrar apenas uma palheta com tinta seca
E um pintor de mãos cansadas.
domingo, 13 de junho de 2010
Olhares
Ou faz acreditar que os mesmos amigos já não podem ser mais uma surpresa?
Pois te digo que há uma forma toda especial de se amar o tempo,
Maneiras novas de voltarmos ao passado
E vontades de reinventarmos o futuro.
Nos vejo de mãos dadas pelas ruas,
Rimos e olhamos uns aos outros.
Somos partes incompletas de uma mesma vibração.
Fazemos do vinho uma fuga da singularidade fria.
Pedimos uma porção de fritas e cumprimentamos os novos amigos.
Que importa se suas amizades durem segundos, no máximo uma noite?
Existem planos para amanhã,
Relógios que despertam as 9 horas no domingo
E uma noite que terá ficado em um lugar especial da história.
Memórias que não apagam,
Momentos que se fazem eternos
E pessoas que se mostram indispensáveis,
Só reforçam o sentido
De verdadeiros laços de amizade.
Por: Rimini Raskin
terça-feira, 8 de junho de 2010
Fim
Lembro de como teu rosto parecia perdido
enquanto todos diziam teu nome a sorrir.
Sempre me soou falso.
Mas contigo de repente a rebeldia era real.
Nos teus cabelos o cinema me saltava aos olhos.
E nos teus olhos buracos negros apontavam o vazio de uma alma química.
Me entreguei ao corpo que se entregava.
Partilhei da loucura doce de voltar a ter 15 anos.
Sujei-me de sangue, do meu e do teu sangue.
Lavei-me com lágrimas, as tuas, as minhas e dos anjos.
Escrevemos linhas convulsas,
Presenteamos um ao outro dores e incertezas.
Sorrimos, gargalhamos, transgredimos um mundo de regras.
Te perdi, te busquei e perdi de novo.
Nunca à tive, à mim mesmo sequer cheguei um dia à ter.
Dois personagens de um romance-dramático
Parte comédia, parte non-sense.
Mas olhe pra nós agora.
Quem somos?
NADA.
Nada além do que éramos.
Nada além do que fomos.
Andamos em círculos.
Cuidando um do outro à uma distância segura.
Correndo de volta sempre que a luz apagava.
Seria lindo se não doesse tanto.
Se as mágoas fossem esquecidas.
Mas olhe pra nós agora.
Quem somos?
TUDO.
Tudo que nunca quisemos ser.
Por isso me afasto de um corpo que afasta.
Te olho de uma distância maior.
Não seguro mais a tua mão.
ESCOLHAS.
São elas que decidem os rumos.
O tempo não concerta.
O tempo escorre,
E com ele nossos planos.
Sinto que posso ser melhor.
Sinto em ti uma tristeza que meu toque não cura.
Não há raiva.
Não existe paixão.
E o amor, bem, ele está tão cansado que decidiu dormir.
Só resta carinho por antigas fotos.
Não há pesar.
Não há culpados.
Não há o que não há.
Bem vinda de volta, minha vida.
Sorrisos me brindam.
Os amigos me chamam
E corações dispostos me aguardam.
Como uma parte minha que fostes,
Amo-te como deveria.
Só peço-te que fuja, Amélie.
Pois a solidão aguarda por aqueles que a perseguem.
E ainda espero te encontrar bem longe dela.
Por Yuri Pospichil
sábado, 5 de junho de 2010
Heroes

sexta-feira, 28 de maio de 2010
Linhas Apenas

sexta-feira, 14 de maio de 2010
Canção para uma velhice indesejada
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Gastura Felina
Motiva um toque de estrelas em todo começo.
A delícia do meio e agora a doçura do fim,
Só me fazem sentir que nada é eterno.
De novo o novo outra vez.
Por isso, aqui deitados, corpo sobre corpo
O menos é mais e por isso me calo.
Porque falar quando tudo é tão simples?
Rápido como um suspiro
Doce como um gemido
E tão lindo quanto tua gastura felina!
Por: Rimini Raskin
domingo, 11 de abril de 2010
O Rei Menino
Todas as manhãs as palavras do menino soavam pelos corredores do castelo. Era impossível não acordar nervoso ouvindo os berros da criança.
- "NÃO QUERO CRESCER!" - Gritava o garoto.
- "EU ORDENO A TODOS PARA QUE NÃO PERMITAM QUE EU CRESÇA MAIS UM CENTÍMETRO!!"
Temerosos por seus empregos, os servos reviravam livros a procura de uma "cura" para seu pequeno senhor.
E assim o tempo passava e o menino repetia sua rotina insana de pular da cama e encostar-se em uma parede repleta de riscos que denunciavam o agravamento de sua terrível maldição.
Mandara chamar bruxos, magos e feiticeiros dos mais diversos cantos do mundo, porém amargou sempre a dor do fracasso.
Já não mais dormia, amaldiçoando o sono que o fazia crescer.
Quebrava espelhos ao constatar em seu corpo traços de homem e multiláva-se na esperança de impedir o processo.
Como um louco, passou a dar ordens à um castelo vazio e brincar com pestilentas ratazanas como se fossem dóceis cães de estimação.
Enquanto isso, o mundo lá fora mudava, mudava e crescia.
Decididamente não era um bom lugar para uma criança.
Por isso escondeu-se em seu quarto e pintou seu novo mundo com o próprio sangue, desenhava flores nas paredes e comandava seus exércitos de brinquedos quebrados.
Com o tempo as pessoas passaram a sentir pena do pobre Rei, lhe levavam comida e ofereciam ajuda, porém, nada conseguiam tirar do débil homem além de um sorriso e um convite para brincar.
Tornara-se uma lenda entre seu povo, um mito que despertava uma mistura de pena e compaixão entre os adultos.
Entre as crianças porém o sentimento era mais para um misto de admiração e curiosidade.
Eu era uma delas, escrevíamos redações na escola e até desenhávamos nosso ídolo no castelo.
Não era difícil vê-lo nas torres mais altas tentando capturar os pássaros, passava horas lá admirando a liberdade das aves e depois sorria e gritava como se tivesse ganho um novo brinquedo.
Por diversas vezes nos convidava para brincar, não íamos porque nossos pais proibiram, tinham medo de que pudesse ser perigoso.
O castelo era imundo, os vizinhos reclamavam dos ratos e escorpiões que invadiam as casas, mas ninguém era cruel ao ponto de tirar do pobre Rei a única coisa que lhe havia restado.
Lembro de acordar naquela manhã e ver todos sentados atônitos na frente da TV, um repórter jovem, visivelmente abalado dava a notícia que ninguém queria ouvir.
- "A cidade perdeu hoje seu cidadão mais querido. Morreu após uma queda de mais de 30 metros da torre de seu castelo."
- "Suicídio!" - Disseram os jornais.
- "Suicídio!" - Comentavam os adultos.
...Tudo nunca passou de um menino Rei brincando de voar!
sexta-feira, 26 de março de 2010
Sobre um dia no futuro

O vento soprava melodias vintage pelas esquinas de arquitetura antiga e fazia a cidade ganhar um ar lúdico com suas árvores agitadas, praças semi desertas e meninas de roupas retrô e sorrisos que lutam contra o bater de queixo.
Os meninos de cabelo bagunçado levantavam a gola de seus pesados casacos, encolhiam o pescoço e enrolavam o cachecol ao redor da boca.
Os velhos jogavam damas nas mesas de pedra com suas boinas cinzentas e olhares de cobiça inocente ao verem passar as mocinhas da Andradas.
Quintana e Drummond, imortalizados os observavam soprar hálito quente entre as mãos na tentativa de não enferrujarem as juntas.
Não haviam muitos artistas na rua, a estátua viva não criara coragem de enfrentar o frio com tão pouca roupa, e o pintor, adoecido, ficara em casa naquele dia.
Se não fosse o músico a cidade estaria imóvel, e quem de fora olhasse poderia jurar que eram as melodias Dylianas que faziam as coisas pulsarem.
Violão, gaita e uma voz antiga.
Eram esses os três elementos necessários para embalar os sonhos da menina de olhar perdido e ar de forasteira.
O frio não a incomodava, pelo contrário, a fazia se sentir em um filme. Sorria e arrumava a franja enquanto cantava baixinho.
Não perceberia de forma alguma o menino que a observava à semanas tentando criar coragem para puxar conversa.
O vento frio soprava folhas pelos parques, estimulava conversas animadas nas rodas de mate e fazia a cidade ser tomada por uma deliciosa preguiça.
As pessoas caminhavam tão confiantes, sentindo-se ainda mais lindas com suas roupas quentes e gorros de lã.
A noite glacial enchia clubs e pubs de mods, indies e todas aquelas denominações rotulantes que as pessoas adoravam usar para suas próprias definições.
A menina do parque sempre estava entre eles, mas nunca com eles, porém sozinha tão pouco ficava, passava o tempo acompanhada dos próprios sonhos, montando diálogos e atuando como uma atriz do cotidiano.
Sabia que chamava atenção pela beleza, mas sabia também que ninguém ali era seu Romeo.
Tinha dificuldade de entender as pessoas, seus dilemas eram profundos, seu pensamento porém era muito simples.
-"Porque não entendem que não preciso de muito? Um piquenique no parque bastaria para me fazer feliz!!" - Assim dizia ela ao mundo que se negava a ouví-la.
Viera um dia do centro do país em busca dos sonhos no sul, queria ser uma estrela, fugir de tudo que conhecia, queria o novo com a mesma força com que amava o clássico e fazia dos dias seus ensaios para a fama.
Fruto de uma familia desestruturada, aprendera a ser independente desde muito cedo, orgulhava-se de ser quem era e da força que tinha, e talvez por isso era tão severa consigo mesma.
Queria ganhar o mundo, receber a atenção que lhe foi negada na infância e bem no fundo não passava de uma criança durona que buscou na arte uma forma de dissimular e esconder as próprias dores, fazendo sempre acreditarem que pertenciam à uma personagem e nunca à ela mesma.
Em uma tarde qualquer uma criança chorava alto, talvez na rua de trás, mas isso não importava, afinal, não conseguiria incomodar os pensamentos do guri da Cidade Baixa, escorado no para-peito oxidado do apartamento que dividia com os amigos.
Olhava a estética quase estática do inverno de Porto Alegre e sonhava com a garota da praça da Alfândega, fantasiava conversas e sorrisos para logo depois ficar se punindo por tanta covardia.
Filho de uma família liberal que sempre incentivou sua arte, cresceu menino de sonhos fartos e pouca estabilidade sentimental, fazia da dor combustível para sua poesia e das paixões impossíveis sua maldição.
Rodava os clubs em busca de material novo para suas linhas e de uma Julieta para preencher o buraco que trazia no peito, a primeira tarefa sempre fora disparado a mais simples, afinal, a noite sempre reservara dezenas de pessoas bêbadas dispostas a contar uma boa história.
Era despojado, nunca tivera problemas em se relacionar com estranhos, por isso se castigava tanto por não conseguir olhar a menina nos olhos e falar um simples "Olá".
Talvez fosse o fantasma dos natais passados fazendo questão de lembrá-lo sempre sobre seus fracassados relacionamentos anteriores.
Cerrou os olhos com força por alguns segundos e retornou a abrí-los, passou o cachecol ao redor do pescoço e correu rua abaixo.
O músico não demorou a montar seu arcaico equipamento de som no costumeiro ponto da praça. Sorriu e acenou com a cabeça para a menina de casaco branco que já o esperava para ouvir as mesmas três músicas serem tocadas repetidamente durante as próximas horas.
- "Dylan?" - Perguntou o homem.
Sorrindo a garota responde - "Sim, Hurricane."
As notas enchiam o ar de saudades de um tempo que talvez nunca tenha existido senão nos seus próprios sonhos. Cantando de olhos fechados o tempo voava como os pombos destemidos que catam pipoca entre os pés de passantes destraídos.
Submersa na melodia confortante da voz daquela estrela suburbana, a menina não notaria nada a sua volta, nem mesmo o garoto que sentava a seu lado e cantava em uníssono as palavras de protesto do velho Dylan.
Quando as cordas emudeceram seu coração disparou, e por algum motivo não pode abrir os olhos.
- "Oi!" Com voz embargada disse o menino, mal acreditando que estivesse fazendo o que fazia.
Ela abriu os olhos e sorriu, sem responder nada.
Ele, envergonhado, se desculpa e levanta para ir embora, sentindo-se o maior idiota do mundo.
- "Não...fica, por favor!" Disse com boca de sonho a menina da praça.
- "Eu sou a Joan, e você quem é?" Continuou ela.
Antes de receber uma resposta o violão volta a soar:
"Lay, lady, lay, lay across my big brass bed..."
Os dois juntos olham para o músico que sorri de volta.
- "Gabriel!"
Destraída a garota responde - "O quê?"
- "Meu nome. Meu nome é Gabriel, tu tinha perguntado."
- "Ah, claro, desculpa, sabe, adoro essa música, ela não te faz sonhar?"
- "Faz, sempre." - Responde Gabriel com sorriso de criança sem graça.
- "Eu não sou daqui, cheguei a 2 meses, sou de Brasilia."
- "Legal ... eu nunca saí de Porto, aqui é meu mundo. Tenho medo de ir pra Paris e ela não ser como eu imagino."
Joan ri e Gabriel completa com ar mais relaxado.
- "A frase não é minha, é daquele velhinho simpático sentado alí no banco batendo papo com o Drummond."
Joan continuava sorrindo com satisfação, contente pelo novo amigo, sentia-se quente, esquecera o frio que a fazia tremer até pouco tempo atrás, não poderia explicar o que sentia, satisfação talvez, mas não, era muito mais do que isso, era como estar pela primeira vez em contato com uma alma que a entendesse.
Porém rapidamente deixou os pensamentos de lado, seria precipitado demais confiar em um garoto que mesmo que timidamente, tentava impressionar.
Gabriel notou o semblante de Joan se tornando um pouco mais sério, mais distante, praticamente alheia a tudo o que o menino falava.
- "Falei alguma besteira?" Perguntou Gabriel constrangido.
- "Não!" Disse sorrindo, Joan.
- "É que eu tava pensando, desculpa...é que...você é a primeira pessoa que prende minha atenção. Bom, tirando o músico da praça, mas com ele é diferente." Continuou ela.
Gabriel não sabia se ficava contente ou preocupado com o comentário e então replicou.
- "Entendo, quer dizer, eu acho que entendo. Eu mesmo achava loucura ficar te olhando de longe durante as últimas semanas, não sabia porque tua presença me chamava tanta atenção."
Joan gargalhou para o desconcerto de Gabriel.
- "A quanto tempo você me olha aqui? Porque só agora veio falar comigo?"
- "Não sei, me faltava coragem."
- "E como encontrou coragem para vir hoje?"
- "É que hoje percebi o quanto sou infeliz, incompleto. Rodo as noites conversando com estranhos, tenho amigos ótimos em quem não posso confiar meus segredos e não tenho ninguém que consiga ao menos entender o que eu sinto."
- "E eu sou essa pessoa?" Perguntou Joan com cara de surpresa e vaidade.
- "Não sei.....mas se não viesse aqui hoje, nunca teria a chance de saber."
- "Mas porque eu? Existe tanta gente muito mais interessante na cidade, porque eu te faria ser alguém melhor?"
- "Nessa vida nada somos, todos sempre estamos, por isso precisava vir aqui hoje, não teria outra chance de tentar deixar de estar sozinho."
Joan sorria incrédula diante da sinceridade apaixonante de Gabriel, era como se a praça fosse um enorme palco para o espetáculo da paixão instantânea, um cenário digno de uma nouvelle vague de Truffaut, uma Paris imaginária, uma Nova York preguiçosa ou simplesmente uma Londres cenográfica.
Dois velhinhos observavam o casal a uma distância relativamente próxima, lembraram da juventude e se encheram de saudade de uma Porto Alegre onde as sereias da Rua da Praia usavam vestidos finos para impressionar os cavalheiros de terno cinza e chapéu de feltro que tomavam café e espiavam o movimento por sobre os jornais da manhã.
O músico também os acompanhava de forma discreta, cantarolava Mr. Tambourine Man e lembrava do grande amor que um dia deixara em Uruguaiana.
- "Acredita que pessoas possam se completar?" Indagou Joan.
- "Não sei, acho que podemos sempre somar."
- "Como assim somar?" Replicou a menina.
- "Somar...todos temos uma carga de vivências. Felicidades, tristezas, conquistas, frustrações. Podemos somar alguns de nossos conhecimentos, mas sempre vai caber a outra pessoa pegar apenas o que julga benéfico."
- "Concordo...falta essa ligação na nossa geração. Falta união, me sinto estranha por ser tão sozinha, por me achar caótica ao ponto de não aceitar praticamente ninguém na minha vida. Mas afinal, de quem é a culpa? Minha? Do mundo?...Já nem sei mais, mas sinto falta de me sentir parte de algo...ou de alguém."
Houve um silêncio entre os dois, apenas se olhavam, tentando talvez reconhecer na face alheia um passado em comum, ou pelo menos um futuro em que pudessem acreditar.
O vento soprou com mais força, jogando os cabelos de Joan sobre os olhos. Gabriel sentiu-se tentado a tocar seu rosto, ajeitar-lhe a franja...mas não o fez.
Baixou os olhos e buscou coragem para falar o que sentia, e novamente não fez.
-"Gabriel."
-"Oi."
-"Que houve? Ficou tão calado, sinto como se quisesse me dizer alguma coisa."
-"Não sei, não sei o que dizer, as tuas palavras me deixaram um pouco estático, surpreso de uma forma boa, mas sei lá...me fazem pensar em tanta coisa. Sabe...Qual o propósito de tudo isso?"
-"Tudo isso o que?"
-"De tudo isso...da vida, dos sentimentos, dessas angústias...das tuas dúvidas que são também minhas dúvidas...me sinto bem, aqui, conversando contigo, alheio de toda rotina estéril do mundo. Aqui, como em um conto de amor escrito por um aspirante a escritor. Sabe? Tipo, sem regras, sem preocupações estéticas...somos nós dois e essa praça...todo resto é cenário, todo o mundo é um set de gravação de algum romance non-sense."
A menina não sabia o que dizer, apenas sentia as palavras de Gabriel lhe tocarem em alguma parte do peito que a muito tempo ninguém ousara tocar. Flutuava em pensamentos novos, vontades novas de ser...de fazer.
Admirava o modo como o hálito do garoto virava fumaça em contato com o ar gelado do mundo.
Sentiu ganas de tocar-lhe o rosto...mas não fez.
-"Nunca ninguém conversou assim comigo...achei que pessoas assim, como você, só existiam em filmes."
Gabriel sorriu lisonjeado.
-"Não sou diferente de ninguém eu acho...é que ao contrário da maioria, acho que nós conseguimos derrubar o muro de hipocrisias que o mundo construiu ao nosso redor desde o nascimento. Não sinto medo de te contar o que eu penso, o que eu sinto e o modo como eu vejo tudo que nos cerca. Sei que não me achará louco, e se achar, será de uma forma admirável."
-"É...eu sinto o mesmo... e isso me assustaria se eu não estivesse me sentindo tão bem."
O garoto cerrou os olhos com força novamente, e outra vez voltou a abri-los.
Afastou os cabelos que o vento fizera cobrir os olhos da menina e tocou-lhe o rosto com ternura.
Joan estremeceu, fechou os olhos e se permitiu ser tocada.
Agarrou-lhe a mão e beijou-lhe a ponta dos dedos.
Deixaram com que seus rostos se tocassem, sentindo todo o calor que o frio do mundo os negara durante todo esse tempo.
Beijaram-se em toque longo e sutíl, quase como crianças, como se o primeiro fosse já o último beijo do resto de suas vidas.
O músico sorria com angústia, com saudade, e por isso tocou ainda mais lindamente para o casal da praça da Alfândega.
Os velhinhos riram e continuaram o jogo de damas com suas tampinhas de garrafa.
Não existia mais o frio, nem a dor e nem a solidão.
Não existia mais a dúvida, o vazio ou o desânimo.
Enterrados por aquele beijo, os problemas sufocavam no rio de lava incandescente que corria no peito.
E como em um conto bobo de amor escrito por aquele que projeta em linhas o próprio sonho, naquela tarde de inverno a vida sorriu.
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."
segunda-feira, 22 de março de 2010
My Baby
Em algum lugar, não muito longe de mim, existe uma estrela.
Ela brilha como fogo vivo e quando sorri até a noite se rende a sua luz.
Entristeço quando a vejo tão descrente do próprio brilho.
Entristeço tbm (e principalmente) por não estar mais perto, por não segurar sua mão ou falar frases bonitas ao pé do ouvido.
Existe uma atriz, my baby é como a chamo.
Ela é linda e tem luz como nenhuma outra.
A amo tanto que morreria se visse seu brilho se apagar.
Pois teu nome está rodeado de lâmpadas em algum lugar do futuro!"
Por: Yuri Pospichil
domingo, 21 de março de 2010
Música que me faz sentir bem
Acordei cansado hoje.
Mas foi um bom cansaço.
Jack na sexta, banho de chuva e falta de ar na manhã de sábado.
Trabalho à tarde, dor nas pernas e garganta ferrada de tanto repetir as mesmas explicações.
K.Y.V. HOUSE à noite, caras cansadas, sinuca e drinks de abacaxi.
Mas o esquema é hoje.
Levantei com o Vitor me chamando e lembrando que eu precisava almoçar com meus avós.
Meio-dia...caramba...
Beijo na Kaory e tchau.
Mas é sobre hoje que quero falar.
Meu dia preferido.
O dia que acordei com a certeza de que poderia mandar o mundo para o inferno.
Não preciso agradar, não preciso sentir vergonha, não preciso me importar com porra nenhuma.
Foda-se esse mundo de monges, de gente padronizada, de "jovialidade medrosa".
De preconceitos babacas, de preocupações físicas, estéticas babacas, comportamentos controlados.
Falsas modernidades, libertinagens artificiais e liberdades limitadas.
Não sou o mais bonito, nem o mais inteligente muito menos o mais agradável.
Mas sou eu, e pra mim pouco importa teu corpo, teu rosto, tua forma de falar, de se vestir, o que me importa é gostar ou não de estar contigo e saber apreciar em ti o que me encanta.
Existem muros entre todos nós, é isso o que eu vejo, enormes muros de medos e preconceitos.
Grande geração a nossa...até a rebeldia foi padronizada, rebeldes estéticos, sem carinho, sem o menor valor.
Por: Yuri Pospichil
quinta-feira, 11 de março de 2010
Geração Inacabada

De incapazes de terminar o que quer que comecemos.
Crias de pais que nos mentiram quando disseram que poderiamos ser o que quiséssemos.
Nós não podemos!!!
só podemos ser nós mesmos.
Mas quem somos??
Temos tantas opções que preferimos nos esconder atrás de vontades de ser.
Acreditamos que não existe mais nada para ser criado e que só algo muito grande nos colocaria na história.
Odiamos o novo, por isso maquiamos o passado pondo-lhe novos nomes.
E acreditamos assim que nossa parte está feita.
Diante da dificuldade de criar, preferimos nos acomodar no velho, esperando a história entregar em nossas mãos o mapa para o caminho do futuro.
Não existe sorte, não existe evolução, não existe uma geração que não existe.
Que belo livro vazio daríamos.
Me pego pensando que meu pai com 25 anos já tinha uma carreira, casa própria, um casamento apaixonado e uma mulher grávida.
E eu? O que eu tenho?
22 anos, um emprego de salário razoável, pais que ainda ajudam a me bancar e amigos tão inacabados quanto eu; adolescentes sem consciência de que o tempo passou.
Talvez meus filhos, se eles existirem, salvarão o mundo que eu fiz questão de não ajudar a melhorar.
Nos criaram crianças egoístas e geniosas, donos de um mundo que nossos pais conquistaram... e por medo de estragá-lo, nos mantemos sentados esperando um sinal que nunca vêm.
Sabemos mais de filosofia, moda, música, cinema e história do que nossos pais....
E DAÍ??????
No que isso nos ajudou?
Continuamos nos achando caóticos incompreendidos, incapazes de nos sentirmos parte de alguma coisa.
Somos ridículos.
Apaixonados de coração razo e necessidade de sofrimento.
Não passamos de malditos hypes retrógrados e sem futuro.
Por: Rimini Raskin
domingo, 7 de março de 2010
Por Adentro
Mira pa'dentro del pecho hasta tocarme a los huesos.
Por la ventana mojada miro a la calle en tu busca.
Personas que pasan y fantasmas tranquilos
Hacen la vida un tanto más bruta.
Del jardin llegan a mís oídos las risas de los niños
Que para el terror de sus mamás, molestan a los vecinos.
Saltan, gritan y desafian al mundo con sus pequeñas bravuras.
Miro a los pájaros y canto, canto, canto por la cura.
Me convierto en pan, vino y queso.
Me siento vivo, bueno y pleno.
Me regalo amores, me construyo a lejos.
Porque de Dios quedó el adiós.
Y de mí,
Quedó los sueños.
Por: Rimini Raskin
sexta-feira, 5 de março de 2010
Los Heraldos Negros
Hay golpes en la vida, tan fuertes... ¡Yo no sé!
Golpes como del odio de Dios; como si ante ellos,
la resaca de todo lo sufrido
se empozara en el alma... ¡Yo no sé!
Son pocos; pero son... Abren zanjas oscuras
en el rostro más fiero y en el lomo más fuerte.
Serán tal vez los potros de bárbaros Atilas;
o los heraldos negros que nos manda la Muerte.
Son las caídas hondas de los Cristos del alma
de alguna fe adorable que el Destino blasfema.
Esos golpes sangrientos son las crepitaciones
de algún pan que en la puerta del horno se nos quema.
Y el hombre... Pobre... ¡pobre! Vuelve los ojos, como
cuando por sobre el hombro nos llama una palmada;
vuelve los ojos locos, y todo lo vivido
se empoza, como charco de culpa, en la mirada.
Hay golpes en la vida, tan fuertes... ¡Yo no sé!
*Foto de uma das cenas do filme peruano Máncora, minha dica de cinema do dia, não esperem nada de novo do filme, mas para quem gosta de road movies latinos é um prato cheio, fotografia linda, trilha sonora ótima e uma mescla muito boa de liberdade e drama.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Bom Partido
Não sou um bom partido
Tendo para os vícios
Posso causar desgosto
Sou um pervertido
Livre leve e solto
Um vagabundo astuto
Um vira-lata escroto
Mas você pode se divertir
Mas você pode se divertir
Eu não tenho regra
Não tenho destino
Vivo entre profanos
E anjos decaídos
Sou um cão devasso
Mundano e explosivo
Um pecador convicto
Um anti-herói vendido
Mas você pode se divertir
Mas você pode se divertir
Por: Renato Godá
*Presente aferecido a mim (mesmo que inconscientemente, creio eu) por uma amiga cheia de bom gosto!! Tanx Miss!!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Para não dizer que não falei das lebres
dias que parece que nada me pertence
Não tenho tempo de sentir, sonhar
e até meus pensamentos parecem sem tempo para fluir.
Quem me condenaria por desejar apenas fazer nada
Se esse nada coordena o caos que nesse momento reside em mim
Meu tempo não se resume mais a possibilidade de encontrar
A noite não é mais um mistério obscuro
Tornou-se uma parte
Insondável de mim mesmo
Minha limitação sou eu mesmo.
Hoje pela manhã não me importa mais
Se alguém ganha ou perde
Percebi que é difícil tomar uma atitude
e ainda mais difícil deixar de tomá-la.
Hoje redescobri que dizer ‘meu amigo’ é uma vitória
E que amar é mais que um encantamento
É uma habilidade filosófica
Hoje eu quebrei meu espelho e vi estilhaços em mil formas
As mil formas que me representam
As mil formas que habitam minha alma
Quem sou eu de verdade?
A pergunta não é essa...
Porque não tenho que escolher um ‘Eu’
Eu gosto da dor que sinto ao respirar
Gosto de quando não respiro...quando não dói mais
Sinto as marcas de todos os resíduos,
Do meu cheiro que teima em não ficar em nada
Me fazendo crer que sumi
Até teu gosto não me vem mais a boca
Perdi a sensação da falta de teu toque
Estou dormente?
Minha pele tem vida?
Olho novamente
Nos estilhaços do espelho vejo meu corpo
Levo a mão ao peito e imagino como me vêem
Que cara poderia ter hoje?
Como definir meus próprios detalhes?
Um piscar de olhos e o dimmer diminui a luz com suavidade
Estou próximo a palavra ideal,
Daquele olhar que faz minha alma cantar
Saio do meu reflexo
Estou vazio...ainda...
Por: Yuri Pospichil*
domingo, 7 de fevereiro de 2010
2010
"Falando desse jeito
Fica parecendo
Que não tem memória."
2010... é esse o ano!
Amo começo de décadas,
Sempre tiveram um gosto especial pra mim.
Quero tudo novo.
Mas não de novo.
Por isso:
"Chega de repetição de história!"
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Doença
Um vírus de efeitos progressivos.
Sem cura e sem tratamento.
Sinto dores terríveis, mas as vezes,
Sensações maravilhosas de meu corpo se apossam.
Médicos não poderiam explicar.
Nem mesmo as religiões.
Remédios e rezas sempre se mostraram inúteis.
Não carrego marcas visíveis, mas as vezes,
É como se o mundo pudesse ler em meu rosto
Essa incompreensível doença.
Não existe contágio.
Salvo em alguns casos especiais,
Com pessoas que já levam o vírus incubado dentro de sí.
Não sei quanto tempo ainda tenho pra viver,
Talvez por isso os efeitos se agravem com maior velocidade.
É a dúvida que me corrói,
A incerteza de não existir certeza.
Não existe um nome específico para essa enfermidade.
A medicina chamaria de imperativísmo,
As religiões listariam motivos,
chamariam de encosto, falta de fé.
E talvez até tentariam me curar
Com banho de ervas ou exorcismo.
Eu sinceramente,
morreria rindo agradecido por todo esforço.
Essa mutação é parte de mim.
Esse cérebro de atividade alterada.
Essa alma fujona.
Esse sou eu.
Incurável.
Incostante.
Inconformado!
domingo, 17 de janeiro de 2010
Só Talvez
Isso não importa mais.
O sal, o limão,
E as tequilas marteladas.
Isso não importa mais.
As músicas que dançamos,
Elas não vão voltar.
Os beijos, abraços,
E até mesmo as lágrimas no banheiro.
Elas não vão voltar.
Teu cabelo novo, as velhas angústias,
São as pequenas belezas que não compartilho mais.
Os sonhos, filmes,
E os livros divididos.
São agora parte do que não volta mais.
Minha irmã, minha amiga,
Amante cármica de outras vidas.
Tento, mas não te VEJO!
"Love waits for everyone!"
Mas o tempo, a frieza, os não ditos e os ditos pela metade,
Todos eles minam,
Cansam,
Doem.
E talvez se não insistisse tanto em matar em ti o que eu amava.
Talvez se insistisse em amar em mim o garoto dos sonhos confusos,
Da geladeira antiga, da casa pequena e do cachorro grandão.
Talvez se não tivesse aberto mão das pequenas alegrias,
Das mãos sujas de tinta, do balanço
E da sensação de ficar de cabeça pra baixo nas barras da pracinha.
Talvez se eu não tivesse ajudado a matar tudo isso,
Com minhas carências estúpidas,
Com minha inconstância e minha loucura insalubre de nunca saber o que quer.
Mas talvez, mesmo com tudo isso, a promessa telepática se cumpra,
A utopia se apronte e as cores voltem a colorir o nosso quadro.
...Só talvez...
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Sexta!
Mas mesmo com toda a tragédia que chega em cores,
Não é ela que me prende a observação.
Poderia ser o chopp gelado,
A conversa animada,
Ou a comida gostosa.
Poderiam ser os novos amigos,
As velhas piadas,
Ou os funcionários muito apressados.
Poderiam ser mil coisas,
Mil vozes, mil risos,
Ou apenas a hora de ir pra casa.
Mas não foi nada disso.
Nem isso ou aquilo.
Pois o que poderia ser mais lindo do que as três menininhas cítricas?
Alí, sentadinhas lado a lado.
As únicas a cantarem e dançarem velhas melodias
na moribunda voz do cantor de boteco.
Queria ser criança denovo.
Para parar de reclamar tanto
E perceber que na vida não há nada mais interessante
que um tilintar de cordas.
Por: Rimini Raskin
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Não Fale
Costumávamos estar juntos
Todos os dias juntos sempre
Eu realmente sinto
Que eu estou perdendo "minha melhor amiga"
Eu não posso acreditar
Este pode ser o fim
Parece que mesmo assim você está deixando acontecer
E se isso é real,
Bem eu não quero saber
CHORUS
Não fale
Eu sei do que você está falando
Então por favor pare de explicar
Não me diga porque isso machuca
Não fale
Eu sei o que você está pensando
Eu não preciso de suas razões
Não me diga porque isso machuca
Nossas lembranças
Elas podem ser convidativas
Mas algumas são completamente
Certamente amedrontadoras
Como nós morremos, ambos você e eu
Com a minha cabeça em minhas mãos
Eu me sento e choro
CHORUS
Está tudo acabado
Estou parando de fingir quem nós somos.
Você e eu
Posso nos ver morrendo... nós estamos?
CHORUS
Eu sei que você é boa
Eu sei que você é boa
Eu sei que você é realmente boa oh
La da da da da da
La da da da da da
Não, não
Ohh Ohh
Me acalme, me acalme baby
Me acalme, me acalme baby
Me acalme, me acalme, não me diga porque isso machuca
Por: Gwen Stefani
domingo, 10 de janeiro de 2010
La Ley - El Duelo
Esqueci a marca que deixou teu amor
Mas esse instinto taurino de teu ser
Me obrigou a açoitar-te muito ternamente
Sem dor não te faz feliz
Sem dor não te faz feliz
Sem amor...
Não sofre mais
Toda essa noite provocou até ver en mim
O que a ninguém mostro na intimidade
Mas essa forma de olhar que há em ti
Me obrigou a matar-te muito lentamente
Sem dor não te faz feliz
(Sem dor)
Sem dor não te faz feliz
Sem amor... Lentamente
Sem dor não te faz feliz
Sem dor não te faz feliz
Sem amor...
Não sofre mais
Por: Beto Cuevas
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
E esse maldito ventilador se mostra tão inútil quanto meu esforço de amar.
O vazio destrói até os estímulos mais puros de motivação.
Mesmo com toda a conversa sobre espiritualidade, mesmo assim nada me fez mais completo.
Mais inspirado, menos medroso talvez, mas não menos incompleto.
Odeio ter o coração em mãos alheias, principalmente quando esqueceram de colar o aviso CUIDADO FRÁGIL - ESSE LADO PARA CIMA.
Pois é de ponta-cabeça que me sinto, confuso e cansado de tuas desculpas que cada vez se tornam mais difíceis de aceitar.
Sinto que aqui não escrevo um poema, sinto que não procuro a beleza, sequer sinto alguma coisa.
Apenas me livro do peso de sofrer por ti no inferno do verão gaúcho.
Quando não durmo à noite é em ti que penso, e quando durmo é contigo que sonho.
E se me viram chorar pela manhã é porque tua falta eu sentia.
Mas o que importa isso para ti?
Sinto como se minha presença não valesse o menor esforço, como se tudo fosse prioridade, TUDO, exceto eu. E sabe o que é pior? Nunca pedi para ser prioridade, nunca esperei por isso, mas nunca quis estar na situação que me colocaste, um dependente, um faminto para quem tu joga migalhas e espera um sorriso de satisfação.
Me sinto ridículo ao ponto de dividir esse sentimento deprimente com o mundo, menos contigo, pois também não espero que se importe com o que digo.
Cansado de fingir, muito cansado!
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Talvez porque
Talvez porque não sou um bom poeta
Posso pedir-te que fiques quieta
Até que eu termine estas palavras.
Talvez porque não sou um grande artista
Posso dizer "tua pintura está pronta"
E dar-te orgulhoso este borrão.
Talvez porque não sou da nobreza
Posso nomear-te minha rainha e princesa
E dar-te coroas de papel de cigarro.
Talvez porque sou um mal negociante
No peço nada em troca de dar-te o pouco que tenho,
Minha vida e meus sonhos!
Talvez porque não sou um bom soldado
Deixo que ataques pela frente e pelas costas
Quando discutimos sobre nossos projetos.
Talvez porque não sou nada disso
É que estás aqui em minha cama!
Por: Sui Generis
domingo, 3 de janeiro de 2010
O Falastrão
De mais problemas que eu sei,
Não fazem parte do meu mundo.
Se quer alguém pra conversar
Então pare de falar
Pelo menos um minuto.
Só assim alguém te ouve
E tem tempo de falar.
Não vê que apenas dois ouvidos
Não são suficientes pra você?
Eu só queria voltar pra casa
E não ter ninguém em casa.
Se for só pra reclamar
E em nada ajudar.
Apenas ocupando espaço.
Eu só queria voltar pra casa
E não ter ninguém em casa.
Se for só pra reclamar
E em nada ajudar.
Por: Dan Schneider