terça-feira, 8 de outubro de 2013

Arya



Do Verbo meu verso deixado na porta do templo
onde mendigos com frio se cobriram
com o calor das linhas de luz
& no banco de pedra
morada de vagabundos que respiraram a vida 
soprada pelo vento da madrugada

O perfume da mente inundou a solidão
____________________________________________________

Depois
caminharam
até mim de mãos
dadas a Lua e o Sol
e nada mais foi como antes
sob o brilho do nascedouro celeste

O vazio não acaba quando o nunca começa
 _____________________________________

As crianças mudas e os velhos fragilizados
A Lua que sorri com humildade
& cães que morderam calcanhares maternos
na busca de suas ossadas prometidas
O Sol que lambe as franjas da montanha
O que existe e não é visto
 &
Depois disso
quem sobra?

Ilusão
_______________________________________________________
Pai
Mãe
O fruto adoecido
Podre
Caiu ao solo
Brotou na terra
Cresceu na luz
Bebeu da água do desconhecido
& saiu vivo
Porque aceitou
Que o que morre é dor e matéria

A boca cósmica engoliu o EU




Por: raskin



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

In Natura


   
Mãe Gaia longas tranças verdes e mares de lágrimas,
o que há de ser de tua pureza?
Linda Juno,
será nossa ruína o ciúme?

Em vossos úteros cálidos
de sangue e de terra e de renovação
Em vossos seios provedores
do leite vivo da evolução
Vossos carinhos

Pacha Mama
estuprada pelo filho querido
carregando no ventre a dor
                                 do prematuro fruto
                                                         de fúria apocalíptica
que em breve inundará o mundo
de sangue sujo & sêmen venenoso

Maria de Nazaré filha de Ana
Devaki mãe zelosa
Mahamaya fim precoce
Amina
     Oxum,
               Ixchel,
Atlacoya,
              Isis,
Jaci

No dourado de seus cálices,
um brinde a iluminação


Por: Raskin







                                 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Outono




Se eu pudesse uma outra vez, como naquela vez
encostar-te tremendo contra muretas de becos discretos
com tuas coxas enluaradas ruborizadas por meus beijos cretinos
Mordendo a boca para aprisionar a liberdade do gozo
escondendo o rosto toda vez que faróis de carros
feitos lanterna inquisidora de um guarda rodoviário
ou holofotes reveladores de prisioneiros fujões
anunciavam-se nas esquinas do nosso segredo
para expor-nos ao ridículo julgamento do mundo
como se fôssemos criminosos e merecêssemos a pena máxima
da frigidez e da hipocrisia social.
Dois corpos competindo com o calor de uma noite de sexta                                  
de sexo, de sensual brisa apocalíptica soprando para longe
um tempo que só podia existir em mistério e silêncio
Ah, se eu pudesse uma última vez, como naquela vez.
morder-te o pescoço com tua espalda pressionada contra meu peito
Cochichando-te ao ouvido profecias de natureza sacana
em um sábado a noite quando todos estão dançando ou
se masturbando com programas de pornô leve na TV a cabo
Se ao menos eu pudesse...pela última vez


Por: Raskin

Quanto?



Quanto vale o descanso?
E a pressa?
Quanto valem?
Quanto valem as crianças?
E o amor, quanto vale?
Casas, prédios inteiros
gradeados de medo
Quanto vale o programa
com boquete e tudo?
Quanto vale um poema?
E o dinheiro, quanto vale?
Quanto vale viver?
E a liberdade?
Eae,
quanto vale
a
nossa
S
  a
    n
      i
       d
         a
           d
             e
               ?


Por: Raskin

POA-TE


As lojas de peças para veículos
Enegrecidas pela fuligem
Compondo paisagens intragáveis
Alternam-se de tanto em tanto
Para dar espaço a locadoras de vídeo
Ou algum cinema pornô recém incendiado
Bugigangas e quinquilharias
Aposentados panfleteiros
Bancas de verdura fresca
Pressa e pressa
Presas fáceis para batedores de carteira
E aleijados esmoladores
Crianças índias comendo batatas fritas do Mcdonald
Executivos de cavanhaque ensaiando ataques cardíacos
Cegos vendedores de bilhetes de loteria
Passeatas de professores tilintando sinetas ensurdecedoras
Pichações maoístas sobre a cabeça de mendigos ignorados
Arquitetura esquecida derrubando suas marquises diante dos pés de quem passa
Pasteis gordurosos de cinquenta centavos acompanhados de um copo de suco
Passeio no cais para assistir o sol mergulhar no Guaíba
Enquanto casais de mãos dadas observam tudo de maneira apaixonada
Venta sempre mais forte perto do rio
E escurece cedo no inverno
E os shoppings lotam
E os hospitais ficam sem vagas
Mas quando cai a noite
Com meu poema em ereção
Penetrando corações despedaçados
Doces prostitutas colocam os filhos na cama com um beijo na testa
antes de encarar outra vez o gelo da madrugada.


Por: Raskin

Sagrado Feminino





Ah mulheres desta primeira vida
                          Que sexos jovens e pureza angelical
                          Teus filhos sonharão com aquelas tardes
                          substituindo nossos rostos pelo sol
                          Erguerão altares imaginários como fizemos
                          Sonharão e acordarão sonhando
                          com os corpos nus da primeira criação
                          Descobrirão a vida com o silvo da serpente
                          nos ouvidos virgens do prazer
                          Por isso não me espanto que o mundo
                          seja tão doce e doloroso nessa fase
                          Com tanto perfume lançado ao vento
                          é compreensível que algum veneno
                          também se desprenda das pétalas da juventude
                          Ah nostalgia que me atinge e fere com força o coração
                          Faz-me cair repetidamente na armadilha do tempo
                          E dormir o sono da inércia 
com falsa doçura no canto da boca


Por: Raskin

Chuva Fina Blues


No caminho lento de pedras irregulares molhado pela chuva,
o chão e a ponta dos meus sapatos
refletem constelações de expectativas
Talvez do bar, o balcão marrom, as mesas indigestas
armadilhas engorduradas do pré-noite
Ou então as mulheres em grupo
lançando sorrisos independentes, de braços dados
acendendo cigarros enquanto batem os pés de inquietação

Sigo rápido, vilipendiando quilômetros
Revirando sacos de lixo
com o
      coração canino
                     que os deuses
                                   me presentearam
Engolindo vento frio feito um gigante adoecido

- Quando era criança jogava tacos nestas mesmas ruas -

Mas agora não é tempo de recordar
A linha entre o passado e a iluminação morna é tão tênue
que já nem sei se sou o dono da sombra pesada que se arrasta no meu encalço

- No futuro as crianças nascerão para montarem tigres -

É esse o tipo de pensamento santo que me ocorre quando caminho rápido
E todas essas casas se repetindo e competindo
& grades & grades & grades
São nossos corações bandidos
na ponta da lança
Mas que bobagem
Meus amigos não entenderiam o que escrevo
Então por que escrever? Por quem?
Para não morrer, eu respondo
Para não precisar caminhar por aí com uma máscara de gás

- Menos de uma quadra e já enxergo o neon azulesverdeado -

Milhões de passos
Micro partículas
Uma vida em prol do esquecimento


Por: Raskin

Metrópole ou nem tanto



Cai a noite
Vestida de laranja ouro
Escurecida até o limite dos sonhos
Dos cânticos e cantos bêbados
Do brinco de pérola pendido do céu
Sobre as cabeças vivas
Com pensamentos vívidos
de seus crimes lúgubres

Cai a noite
E sobre a cidade
Metrópole ou nem tanto
Garrafas se quebram
Criaturas se agitam
E a profundidade dos mares
Tão distantes do alto dos prédios
Não significam nada para quem pula
Do sétimo andar

Quanto se pode esconder no vinco entre os seios de uma mulher?


Por: Raskin

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Anjo de neon vermelho


A garota do bar era você, com uma enorme máscara mortuária pendurada por elásticos ao redor da cabeça enquanto servia cerveja choca para clientes pervertidos que tentavam beliscar-lhe a bunda na primeira oportunidade. Velhos engravatados cheirando a loção pós-barba e Marlboro vermelho recém saídos de seus escritórios de ganância e assédio sexual.

A garota era você, e que prazer observar-te dançar entre as mesas com teu olhar de puta triste endividada até o pescoço, teus quadris perfeitos, nem tão grandes nem pequenos demais, ziguezagueando enfadonha enquanto consultas o relógio de parede, implorando aos deuses que a noite acabe mais rápido que de costume. Resmungando baixinho alguma coisa para o segurança parrudo que apenas olha para o vazio e balança a enorme cabeça de touro em sinal de afirmação.

A garota era você, de seios volumosos sob uma blusa verde reveladora de porções generosas de pele e pequenos mamilos rosas que se iluminam no instante em que te abaixas para perguntar ao cliente com cara de traficante colombiano se a próxima dose de uísque será também com duas pedras de gelo.

A garota cósmico-sexual era você. Mas qual foi teu nome no instante doloroso do primeiro nascimento? E quais sonhos uma mãe pôde sonhar ao ver a filha sorrir no balanço da praça em um domingo estafante de calor insuportável e missas e churrascos? Qual nome tinha teu primeiro namorado? Quantas vezes choraste por amor ou o que pensava saber sobre ele? Qual teria sido teu brinquedo preferido na infância? Que nomes tinham tuas bonecas? Algum livro predileto? Uma camiseta velha com estampa de desenho animado na hora de dormir, talvez? Aceitarias meus cigarros e minhas carícias de homem carente afogado em mares de dúvidas e insegurança? Me amarias? Farias de mim teu cãozinho atropelado? Passarias esta noite comigo apenas me ouvindo falar com a cabeça entre tuas coxas perfumadas de menina de bom coração?

A garota era você. Eu era mais um esquisito beberrão tímido na mesa do fundo com um bloquinho de anotações, lápis-borracha e apontador. O estranho que desviava o olhar toda vez que me miravas azul por entre os furos de tua máscara ordinária.

A garota era você, só você. Caminhando até mim, curiosa, fazendo meu coração gritar desesperado no vazio do universo que me habita. Teu perfume cada segundo mais perto. Minha respiração cada vez mais afoita. Tua voz no meu ouvido, doce, sensual, velha conhecida de fantasias adolescentes no banheiro simples da casa dos avós.

Ah, e que lábios lascivos, e que palavras etéreas, hipnóticas, poderosa Medusa dos cabelos vivos petrificadora do coração dos homens. Jasmim eterno, margarida inocente entre ramos venenosos do não-me-toque. Como gostaria de beber a vida da tua boca de virgem renascentista e a sabedoria do teu sexo de anjo desolador.

Outra dose? Me perguntas.

Mas o que quero é outro mundo, meu amor!


Por: Raskin

 


Sacrifício



Com mangas de camisa saindo da camisa
                                          até as mãos frias do outono
Quinze anos de vida sedenta dividida com violência
                                          por pássaros negros do campo irregular
Memórias turbulentas de cabelos compridos e cimento fresco
                                          com amigos deitados em rampas de concreto
Noite gelada partindo em três nosso espírito ligeiro e espectral
                                          sem que ninguém soubesse haver o verbo

Assim nasciam as primeiras palavras paridas pela dor do nascimento
de prematuros condenados a maldição do querer saber

                                             &
                       Só os deuses sabem o quanto
                       dói não conhecer outra saída
                       Ou a ferida do tédio sombrio
                       Ou a incerteza do amor futuro
                       Ou ainda a angústia dos mortos que teimam em não deitar

Nesse tempo o poema foi a desconfiança interna em face da vida de menino
                                           Esquecido na beira de uma estrada poeirenta
enquanto caminhões de sonhos e automóveis fantasmas
                                           elevavam ao céu o gosto de todas as coisas
O poema foi uma biblioteca chuvosa de primeiros versos
                                           Neruda vulcânico e salitre araucano
Tardes inteiras de mergulho no fabulário russo de barbas e mofo carcerário
                                           França romântica e rebeldia fatal

Deslumbre ocultista misturado a preguiça adolescente de acreditar no que quer que seja
Mas ainda assombrado pelo inferno impiedoso inculcado no berço
Perseguido no escuro por demônios saídos da boca do homem
Rezando sem vontade para o teto do quarto
Enquanto o deus do céu ficava cada dia mais parecido com meu pai
Que noites aquelas
Que dias intermináveis

Se ao menos soubesse o que ainda estava por vir


Por: Raskin

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sem Partidos?



Como as coisas mudam, quando eu tinha meus 16/17 anos e praticamente morava na biblioteca pública estudando filosofia e política para poder defender meus ideais com argumentos plausíveis e concretos durante minha militância, era taxado de "rebeldisinho". de metido a revolucionário, de chato. Hoje vejo uma galera tomando as ruas sem o menor discernimento de política ou de como se faz política, empurrando o país de volta aos braços da direita conservadora que infiltra seus gritos de "derrube o governo" e "sem partido" afim de influenciar e inflamar os desavisados a andarem por aí com uma bandeira brasileira enrolada no corpo e cantando um hino nacional ostentoso que só serve para camuflar a realidade e a história nada ostentosa do país. Sem partido? É isso mesmo? E quem assumiria para devolver a ordem? Presumo que os militares novamente, e aí amigos, a história vocês já conhecem ou ao menos uma parte exposta dela. Até entendo que nunca tenhamos sido ensinados de forma direta e clara sobre o que foi a ditadura militar, mas na era da informação é inadmissível que as pessoas não estudem antes de saírem por aí despejando bobagens e se deixando levar por informações mentirosas. Não sou contra os protestos, de forma alguma, acho legal que o "gigante" tenha tomado do dia para noite consciência política, mas me assusta. Revolta sem foco e sem planejamento tem o poder de se tornar um tiro no pé, que me desculpem os mais entusiasmados é o que parece estar acontecendo. O Gigante pode estar revoltado, mas acordado de fato eu ainda tenho minhas dúvidas. Alguns "anões" nunca dormiram, eles simplesmente não foram levados a sério como deveriam. Por isso expulsar partidos de esquerda das manifestações é antes de mais nada um erro. Eles sempre criticaram o aumento das passagens e lutaram pela qualidade do transporte, se essa for realmente a pauta. Lembro do PSTU, que eu não simpatizo, mas preciso admitir que sempre estiveram na militância por esse tema, ou do PSOL (partido que eu no início participei, mesmo antes de ter se tornado um partido de fato, mas que não me mantive por talvez não estar alinhado a minha visão de esquerda mais radical na época). Não estou criticando a multidão que tomou as ruas, apenas aconselho a se informarem melhor para que não se deixem transformar em massa de manobra para interesses que em nada tem que ver com democracia e justiça. É preciso se organizar, é preciso estudar, é necessário ter FOCO e reivindicações concretas ( quando digo concretas, me refiro a crítica e planos de solução para as mesmas, e muito importante, direcionadas aos órgãos políticos de fato responsáveis. Presidente não tem poder de mandar prender, vetar PEC ou baixar passagem de ônibus, organizem-se e levem suas propostas aos competentes por cada área.) Exijam e façam uso de seus direitos como cidadãos de uma democracia (ainda que de aparência, como é a brasileira), mas façam isso de forma estudada, coerente e clara. Já mostramos que estamos descontentes, mas esse é só o primeiro passo, agora é a hora de apresentarmos cartas e ideias. A corrupção é um inimigo arraigado na política brasileira que deve ser removido, mas isso não vai acontecer da noite para o dia, não existirá um decreto ou uma mágica que fará ele acabar. O fim da corrupção é um processo paulatino e parte também da conduta do cidadão comum, SIM, de nós mesmos que usamos o jeitinho brasileiro para levar vantagem em cima dos outros. Estamos mais participativos e ligados na política do país, eu sonhei com isso e agora acontece, mas por favor não deixem de se informar e checar fontes antes de disseminar informações, isso só aumenta a força dos inimigos da liberdade e da verdade. Não tenham memória curta, caminhamos e evoluímos muito nos últimos anos, muito também ainda falta ser feito e justamente por isso devemos usar essa energia que têm se mostrado nas ruas para participar no processo de conscientização para um país mais justo. Vá para a rua, mas saiba contra quem lutar. Cobrem dos políticos, mas não esqueçam dos patrões que te exploram de forma direta, seja com condições insalubres, baixos salários ou taxas altíssimas de lucro em nome da fortuna a qualquer preço que só contribuem para aumentar o abismo salarial e a desigualdade social existentes no país.



Por: Yuri Pospichil

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Quando Tom Waits cantar Godá



 Meretrizes de trompetes milagreiros e sexofones úmidos
invadirão as ruas do teu bairro com as mensagens roucas
dos antigos lobos do mar e cães portuários do cruzeiro do sul

E choverá um amor sujo e barulhento sobre os telhados esquecidos
De velhos vagabundos que relembram paixões da adolescência
ou se afogam um pouco mais entre os seios volumosos de uma cama qualquer

Quando Tom Waits cantar Godá

A bebida elevará tua angústia a um nível de arte
Marginal & linda & de penetração surpresa em ouvidos desavisados
Que depois de desvirginados jamais voltarão ao lugar

Quando Tom Waits cantar Godá

Dormiremos de porre com um sorriso largo no rosto abatido
Sobre as coxas macias da longa noite do amor universal

Quando Tom Waits cantar Godá


Quando Tom Waits cantar...


Por: Raskin


*Fotografia do filme Howl de 2010

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vontade Própria



Das coisas que não fiz
Dos muitos que não fui
Das noites que esqueci
Nem ligo mais
Se não for, foi por que eu quis


Por: Raskin

sábado, 20 de abril de 2013

Terceira Noite



Naquela manhã cada um de nós estava em casa, na cama. Era muito cedo, mas ao contrário de todas as outras manhãs, nessa não foi difícil acordar. Era dia de eclipse, dia de corrermos para o morro e passarmos horas observando o fenômeno solar através de nossas chapas de raio-x. Os três sentados, ombro no ombro, devíamos ter nove, dez anos no máximo, mas disso não lembro com certeza. Recordo que todos ficavam apreensivos com o acontecimento. Um misto de curiosidade e medo do que pode acontecer. Morar em cidade pequena é um pouco como viver na idade média, só que com luz elétrica. Na época achei mágico, muito misterioso. Hoje penso que aquilo possa ter sido um prelúdio do fim, um simbolismo cósmico. A vida sendo ocultada pela noite. Os pássaros desorientados com a escuridão repentina. Nossas avós aguardando pela volta de Jesus Cristo que dessa vez desceria do céu acompanhado por seu exército de escravos angelicalmente andróginos; Mas para nós, era como se o mundo parasse por algumas horas. Como se morrêssemos por alguns instantes esperando a nave que nos levaria para um planeta melhor. Raul começou a escrever naquela manhã, talvez tenha começado antes, mas gosto de pensar que foi no dia em que o sol se deixou morrer antes da hora. Ensinando que não interessa a intensidade do brilho ou o grau de importância, algumas vezes, até os deuses fraquejam....*



- Raskin




* Trecho do capítulo Terceira Noite, extraído do romance Noturnos - O final Em Dez Capítulos
 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Coração



Meu coração é Coréia
Coração Vietnã
Coração Argélia
Angola vermelho-sangue

Um coração Cuba
Bombeando Venezuela petróleo
Coração Praga
Paris estudantil

Esse coração Líbia
Coração Egito piramidal
Indígena coração ZapaMéxico
China lendária navios tipo exportação

Coração latinoamérica
Órgão despedaçado
Amor partido
Moribundo soldado
Cansado de se decepcionar

Um coração incurável
Que sonha
Apesar dos homens


Por: Raskin

terça-feira, 16 de abril de 2013

sábado, 13 de abril de 2013

Haicais





I

Nada além de unhas
cravadas com força
em nossas carnes cruas


II

Velas vermelhas
emanam do nosso desejo
suas últimas centelhas


III

Minha semente
sobre teus seios, despejadas
em êxtase latente



Por: Raskin





segunda-feira, 8 de abril de 2013

Do Sonho Do Vigésimo Anjo Alfabético


1

Mataram os meninos
enquanto deitados na cama de mato
bebiam a vida das tetas de uma vaca
tão grande quanto a própria existência

Mataram os meninos
justo quando acordaram para mijar álcool
nos banheiros escuros do cosmos
observados pela Ursa Maior

Mataram os meninos
que na ânsia de viver
engoliram pedaços enormes de carne e mistérios
maiores que a própria garganta

Mataram os meninos
&
Não houve perdão

Mataram os meninos
&
Nunca souberam por que
Nem nunca irão saber

Mataram os meninos
e todas as mães choravam desesperadas
porque sofrer é o que as mães
melhor do que ninguém
sabem fazer

2

E por 80 horas choveu forte no olho do mundo
enquanto todos os anjos
do alto de suas orações
choravam piedade
na longa noite
que se abateu sobre o coração dos homens

Em vão...






Por: Raskin


domingo, 7 de abril de 2013

10abafo



Eu sei que tudo não passa de um sonho, que não existem saudades, que não existem palavras, mas dá uma angústia saber que nem a angústia existe na verdade. Tão difícil dormir e não sonhar. Tão difícil de acordar.


Por: Raskin

terça-feira, 2 de abril de 2013

Surrealismo Mata



Poema simples
o que está escrito, aqui está
assim é mais seguro
evita o risco
de alguém se machucar


Por: Raskin