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domingo, 12 de julho de 2009

SEGREDO


Não me olhe com esses olhos que não posso roubar,
Muito menos me sorria com essa boca que nunca beijarei.
Tuas zombeteiras provocações me machucam mais do que imaginas.
Sofro por saber que em cada gesto existe uma verdade deliciosa,
Um prazer raro que não posso tocar.

Não te reconheço quando estamos cercados.
Ou será que na realidade não conheço-te quando estamos a sós?

Não exibas este corpo de alvura provocante.
Muito menos me toques com essas mãos que não posso segurar.
Tuas palavras de criança levada, adquirem um tom quase celestial combinadas com teu rosto de anjo renascentista.
Não imaginas como me enlouqueces durante os sonhos.
Uma loucura de proibida atração.

Como ririas de mim se soubesses que já chorei por tua ausência.
Como te divertirias se ouvisses de minha boca essas palavras.
Mas como posso resistir a tua beleza enigmática?
À essas brincadeiras de dizer a verdade?

Teu encanto é eterno como o de Dorian Gray e tua beleza divina como a de Afrodite.
Mesmo que nenhum outro o aches, eu o acho.
Por isso guardarei só para mim essa obssessão.
Só peço-te que não deixes de provocar-me.
Pois mais doloroso do que ver-te torturar-me, seria não mais te ver.

Por: Rimini Raskin

ANJO DE ALMA VIOLETA



Feche os olhos enquanto te marco.
Não! Não os abra por favor.
Consegue sentir o gosto em teus rubros lábios?
Não te assustes por favor, esse gosto se chama luxúria.
Te matarei a sede essa noite, e em todas as noites
que de mim necessitares.
Peço-te que só faças disso segredo para os que não lhe atraiam.

Abra os olhos agora divina rosa!
Oh, como é encantador esse brilho no canto de teus olhos.
Como amo a maneira que enrubece teu corpo ao meu toque.
Não se envergonhe lindo jasmim.
Não há por que censurar-se pela delicia que experimentas.

Cale-se enquanto te toco.
Hoje não é de tuas palavras que preciso.
Prometa-me que jamais morrerás por amor,
Pois é dele que se vive e por ele tudo há de ser belo essa noite.
Faça de meu corpo teu templo e adore-me.

A partir dessa noite serás responsável por tudo aquilo que tocares.
Cada centímetro de pele, cada suspiro, gesto ou palavra.
Tudo será de tua inteira responsabilidade.
Cuide-me como de ti cuidei pequeno anjo de alma violeta.
Só assim tudo será nosso.

Por: Rimini Raskin

O QUARTO





Uma cama de solteiro.
Branca e barulhenta.
Uma estante pintada com giz de cera,
Verde e laranja com espirais e um toca discos.
Um roupeiro para dois.
Uma televisão que não funciona.
Outra estante,
Mas esta para guardar livros.
Colocada sobre um tapete comprido
para proteger o chão de madeira marrom encerada.
Um elefante triste apoiado sobre suas pernas quebradas
olha para um abajur de louça muito antigo.
Os posters parecem velar os sonhos.
E as mulheres do quadro, muito tempo
resolveram dar as costas aos companheiros de ambiente.
Estão mais interessadas em recolher gravetos secos.
Para não se sentirem sozinhas, ficam o tempo todo de mãos dadas.
Talvez só o esqueleto colorido ainda ache graça da situação.
Sinto inveja, mas só as vezes.
O fato de ser de cartolina não o incomoda.
As vezes acho até que ele gosta de se sentir tão leve.
Mas o que mais gosta mesmo,
é o fato de ser tão lindamente articulado por cordinhas.
Isso permite que ele dance ao ritmo do ventilador.
Balançando suas pernas verdes e compridas pelo ar.
É engraçado, mas ele adora tudo no quarto.
Bem, quase tudo.
Afinal ainda não acostumou com o desconfortável
percevejo cravado na cabeça.
A vida das coisas é como a vida das pessoas,
Curta, agitada e ao mesmo tempo vazia.
E apesar dos percevejos na cabeça,
todos nós ainda podemos sorrir como o esqueleto.
Afinal a vida sempre vai ser estranhamente bela
para quem pela beleza procura.

Por: Rimini Raskin