quinta-feira, 28 de abril de 2011

Vipassanā


Vendo um horizonte amplo
Pela moldura foco da janela.
Sentindo o cheiro da chuva
E o frio do vidro na ponta dos dedos.

Olho adiante e procuro sentido.
Entre a paisagem distorcida pela neblina
A certeza do que existe pela memória
E o medo continuo por não conseguir
Distinguir através da visão.
Tendo surtos por não entender o que é
Verdade entre abraços partidos
E vidas que tento convencer a fazer parte da minha.

A chuva distorce,
A bruma deixa misterioso o óbvio.
Só consigo pensar se hoje
Ainda consigo supor a chuva que me encantava na infância
Ou as mudanças de tempo previstas.
Minha cabeça vaga e divaga
Buscando o sentido do trivial.
Percebendo entre as lágrimas que escorrem pelo vidro
A dor e significado da minha própria tristeza e dúvidas.

Penso nos pontos finais precipitados,
Nas virgulas...
Quero voltar sem ter que dizer de onde vim.
Mas o que faço quando sinto tanto vazio num abraço?
Falta o que dizer e pronuncio palavras que não são minhas
Vendo o nada diante de uma janela difusa.
Me vem a mente apenas o calor de um abraço inesperado
Do você que desamarra os nós da minha garganta,
Da sua mão que recolhe meus pedaços e junta em algo melhor,
Do você que coloca no papel meus momentos surdos
E do carinho que me transforma.

Eventualmente tudo acaba,
mas se escrevo...continua.


Por: Fabíola Alcazzar

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A METAMORFOSE DAS CRISÁLIDAS NÃO SE DÁ NESSA ÉPOCA DO ANO – TRATE DE SER FELIZ POR CONTA PRÓPRIA

Hoje é sexta-feira e falta ânimo para começar as coisas que já começaram. Três dedos de vinho flutuam dentro do copo. Ecos de um passado não tão distante impresso nas fotografias. Tudo o que penduro nas paredes é apenas um registro para sentir saudade. Mas não sinto. Os cafés tem sido absorvendo Thoreau e me surpreende a forma como certos pensamentos se popularizam a ponto de virarem pockets vendidos pela lpm na rodoviária de Passo Fundo. Se a busca for a ancestralidade, é quase certo que você terá algum público. Os malditos estão aí para atestar a ausência de dentes. Os pingos não cansam de escorregar entre as folhas do abacateiro e o som da natureza desperta em mim o tempo em que habitávamos as florestas. Eu devia ter visto Tio Boonme. De vez em quando o ruído forte de um ônibus espacial chega até os fundos desse apartamento colado no meio de uma grande capital, mas depois volta o silêncio. A maior das Américas. A melhor das Américas. Haveria grilos entre as folhagens do quintal se o urbanismo não tivesse aniquilado quase todos os reinos de pequeninos ecossistemas cabalísticos. Caberiam mundos no lado escuro da sombra das plantas. Xamanismo Urbano ou Fever Ray. É quase tudo a mesma coisa. Há uma festa microscópica e só nós não. Haverá ainda muitos dias em que todos deixarão a cidade, menos você. Só faça questão de ter algumas garrafas. Prepare-se para a abstinência decorrente de quando todos se vão. E para ser uma pessoa produtiva que entrega longos textos em prazos tão curtos. Aperte mãos de desconhecidos e deite na cama de quem não sabe o seu nome. Só não esqueça de tentar trazer de volta um resto daquilo que você foi antes de ser quem você é. Há todo um carnaval pela frente e nenhum de nós tem corpo para. Se ainda quiséssemos sair sozinhos. Se ainda nos iludíssemos com a beleza dos encontros que se dão ao acaso. Trabalhe sempre um pouco mais. Depois volte para casa ouvindo Band of Horses e jurando que vai gravar as coisas mais bonitas porque é noite de sexta feira e porque chove e porque sobraram ainda tantas garrafas de vinho e inspiração. Garrafas de vinho o bastante para fazer você escrever e gravar tudo o que você planeja há tanto tempo. Mas você chega em casa e o caderno de versos perde o sentido a cada repetição de frase: porque você quer falar isso? Corre-se o risco de jogar tudo fora: o que você quis dizer com isso? Descartar arquivos carregados de gravações. Se liberar espaço é o segredo da criação e a eternidade do artista é tentar capturar o presente, então pode ser que a generosidade do mesmo seja nunca lamber o próprio rabo.


Por: Ismael Caneppele

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Senhor de Estranhas Manias


Cativas minha alma
Cativas minhas palavras e pensamentos
Dom que quase nenhum outro possuiria
Cativas desejos por arte

Meu senhor de tardes tardias
Faz crescer em meu peito a esperança
Em dias onde reconheço a alegria
Não seria difícil amar-te

Cativas minha sorte
Cativantes palavras que eleva-me em seus momentos
Preso à mais ínfima sintonia
Cativante desejo de te ser fiel por morte

Senhor de estranhas manias
Faz-me forte ao ler teu brilho de criança
Dias que me pergunto por onde andarias
Não seria fácil perder-te:

Raio de sol que ilumina.
Fonte de energia que contemplo.
Parte de mim, seja sempre poesia,

viva,
pulsante,
por entre meus olhos
dedos,
dia-a-dia.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Em Miami o Horror é não dançar!

Vou fugir um pouco do padrão do Esqueleto nesta postagem.
Quem acompanha o blog sabe que raramente escrevo sobre uma ocasião especial, mas as vezes se faz necessário narrar certos acontecimentos.
Os australianos do Miami Horror (por isso o trocadilho infeliz do título) estão fazendo uma mini turnê pelo Brasil e Porto Alegre (mais especificamente o Porão do Beco; famosa casa de festas do underground da capital gaúcha) foi um dos destinos.
To explicando mas sinto estar fugindo do assunto em sí, por isso vou tentar ser mais dissertatívo e direto, apesar de estar etilicamente alterado.
O fato é, pela primeira vez na minha longa vida eu ganhei uma promoção que não fosse a do palito de picolé dando direito à outro Fruttare de limão.
Sem muita pretensão decidi responder uma pergunta qualquer no site sobre a banda e ganhei um ingresso pro show.
Fiquei feliz e um pouco decepcionado por não ter uma companhia que se motivasse a pagar R$ 60,00 para ver uma banda que apareceu "ontem".
Mas depois de pensar um pouco, liguei o "foda-se", tomei um banho, catei uma roupa qualquer e rumei para a AV. Independência.
Lá, as mesmas ruas, mesmas luzes e mesmas prostitutas continuavam nas mesmas esquinas que sempre passo quando quero beber e dançar ao som das pick ups dos meus DJs favoritos.
Não havia fila e apesar da demora em acharem meu nome na lista a espera foi muito pequena.
A banda que prometera entrar no palco até 22:30 hrs entrou as 23 hrs, o que pouco importa pra um desempregado sem pressa como eu.
Lá dentro começa a parte difícil de descrever, posso começar dizendo que estava bêbado depois das 3 cervejas que tomei logo de começo, talvez na esperança de me soltar e conseguir aproveitar sozinho algo que até então era um mistério.
Mas acabaram sendo inúteis, cada cerveja foi completamente inútil e desnecessária.
Ninguém precisa de álcool para dançar diante dos grooves espaciais e elegantes tocados pelos "oceânicos" do Miami Horror.
Entre curtas e carismáticas frases em português, a banda presenteou rítmo e deu uma aula de competência musical para os pouco mais de 300 espectadores.
"Baterias syncadas, teclados à lá French House, baixos groovados, guitarras ora funkeadas ora distorcidas e vocais impecáveis misturados com uma energia contagiante." - É assim que defino o show do Miami Horror afinal, a maior revelação da Austrália do final da década passada.
Me senti como se a banda estivesse tocando na minha festa de aniversário.
Mas agora chega, to bêbado e morrendo de sono em plena madrugada de quarta feira. Porém, animado por saber que irei dormir satisfeito por tudo que ví, ouví e dancei na noite passada!

Por: Yuri Pospichil

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Não existem abelhas na noite das agulhas

Me incomoda um pouco enxergar neste rosto velho um pouco de mim.
A fraqueza nas pernas magras e os tremores que ocasionalmente atingem as mãos com seus dedos curvados, me atordoam e fazem ter vontade de fugir.
Talvez devesse me sentir culpado por comover-me mais com uma vida que chega do que com essa que aos poucos se vai.
Afinal há uma parte da minha história deitada nesta cama, meu sangue, meu sobrenome.
Talvez devesse me sentir culpado por não sentir-me tocado por esses laços naturais.
As vezes penso nesses vinte e poucos anos que nos conhecemos, lembro de tantas histórias, a maioria da minha infância. Lembro de como gostava da chácara e me orgulhava de contar para meus amigos sobre a tua profissão. Mas penso também que nunca fomos próximos o suficiente. Nos respeitamos e temos carinho um pelo outro, é verdade. Mas não tenho convicção de afirmar um sentimento maior, e talvez devesse me sentir culpado por isso também.
Nunca pensei te ver assim, tão dependente.
Nunca imaginei ouvir esse sotaque tcheco-germânico soar tão fraco e melancólico.
Penso que deveria me sentir culpado mais uma vez por ser tão parecido com meu pai e não conseguir a sintonia necessária para amá-lo da forma como deveria.
Sinto que deixei de aprender muito e que também deixaste de ensinar um bocado.
Sinto falta dos carros velhos, das boinas cinzas e dos sapatos sujos de barro que deixavam minha mãe louca por sujar o tapete da sala.
Sinto falta das brincadeiras ao telefone, dos favos de mel e das abelhas.
Talvez devesse me sentir culpado por tudo isso...mas não me sinto!


Por: Yuri Pospichil

Fluxos Químicos Desordenados


Escute, um momento.

Tome essa chave.

Eu sei, parece bem pequena.

Mas abrirá aquela porta.


Todos os sonhos estão lá dentro.

Guardados em pequenos sacos de tecido
pintados com as cores da manhã
que essas angústias te fizeram esquecer.


Agora vá!


Por: Rimini Raskin

Sobre Nomes Impróprios e a Madrugada



As ausências me intrigam.

Me encantam.

Me consomem.

Fazem da minha carne um fantasma
refletido no canto inferior direito
do obsoleto tubo de imagens.

Não estou no que não existe...

Mesmo que estar valha tanto quanto
viver uma vida que também não é!

E se o telefone não toca?

Deveria ele ainda possuir esse nome?

...



Por: Rimini Raskin


terça-feira, 29 de março de 2011

Voltando pra casa, voltando pro nada



Não sei ao certo a dimensão dessas palavras ou o que elas poderão significar para quem as ler, mas sinto que escrevê-las aqui me tira um grande peso, o peso de ser quem sou.
Durante os últimos anos venho buscando afirmação externa, aceitações em massa e amores banais mas aparentemente necessários para uma vida um pouco mais "normal".
Longe de mim querer me incluir nesse rótulo pós-moderno de "alternativo, solitário e incompreendido", até porque ser triste não te faz melhor do que ninguém, pelo contrário, te faz ser triste apenas.
Mas o que realmente estou tentando dizer é que abrí mão de um bocado de alma para me ajustar à certos padrões (a maioria deles nada saudáveis, admito), que talvez suprissem o vazio que eu levo no peito. Um vazio que já tentei preencher com as mais variadas maneiras. Desde a mais revolucionária caridade e desejo de justiça social até o lirísmo pacifísta que teria o poder de salvar a existência por meio da beleza poética.
Todos as tentativas e personalidades eram reais, acreditei de verdade em cada uma das idéias, mesmo quando as intercalava com inconsequências etílicas e rock n' roll.
Todas elas foram frutos de uma época onde realmente nunca me amei, mas que conseguia me admirar e sentir um orgulho enorme sempre que me olhava no espelho, uma época onde me sentia deslocado e inútil por não defender uma causa maior.
Todas as paixões dessa época foram extremas, com nenhuma delas eu soube lidar de forma saudável e moderada. Nessas paixões incluo as amorosas também, todas inesquecíveis como cicatrizes de guerra e lindas como livros de história que deveriam ser usados muito mais para escrever o futuro.
Isso tudo passou, foi se moldando, adquirindo novas faces por conta de grandes desilusões, novas fugas foram sendo usadas, alívios sintéticos, sorrisos com prazo de validade de horas. O medo de ficar sozinho me arrastou para as multidões, no meio dela conheci e escolhi uma nova família, todos fugitivos como eu, todos com medo de ficarem sozinhos, com medo que a música parasse de tocar antes de estarem prontos para pararem de dançar.
Algum tempo se passou desde essa última mudança e parece que agora sinto a ressaca da grande embriaguez que foram esses anos.
Não apenas eu, minha família escolhida também compartilha dessa sensação de estranheza que cresce junto com os espaços entre os encontros, os muros crescendo entre todos nós, a música tocando baixinho no ambiente e as censuras que pouco a pouco dominam nossas relações.
Criamos imagens uns dos outros durante esses últimos anos, acreditamos que nada mudaria e que poderíamos fugir eternamente da velhice, da tristeza, das responsabilidades, dos silêncios e da solidão. Mentimos o tempo todo ao dizer que não nos sentíamos tristes e angustiados às vezes. Censurávamos a tristeza um do outro por medo de admitirmos a nossa, e hoje chegamos ao ponto de censurarmos até mesmo a alegria.
Passamos de uma família de crianças sem pais para uma familía com adultos demais ocupando a mesma casa. Não haveria problema nenhum nisso se não fosse o fato de não sabermos lidar com a vergonha que sentimos de nós mesmos e dos novos medos de parecermos ridículos e desajustados.
Medo de parecermos novamente os bastardos de coração mole que não precisavam de desculpas para trocar um abraço e um beijo sincero, que falavam besteiras sem trava e dançavam como malucos só para acreditar que lá fora era lá fora e aqui dentro ninguém poderia nos machucar.
O que mudou não foi o fato de ter aprendido a me amar, isso eu nunca aprendi, o que mudou foi o fato de não mais me sentir orgulhoso e não conseguir admirar a mim mesmo.
Tenho certeza que se alguns de vocês acabarem lendo essas linhas até o final, irão inevitavelmente me censurar.
Mas não sem antes refletir só um pouquinho e sentir medo da verdade que levam no peito.
Amo cada um de vocês, independente do que outras pessoas pensavam e pensam sobre nós, mas não posso jamais conviver com essas novas censuras enquanto todos fingem não saber o que foram.
Sinto necessidade de me encontrar novamente e medo de ser julgado por isso. Na verdade sempre sentí isso e durante anos escondi uma parte bem grande de mim por medo dessa censura.
Mas então quem é o censor agora? - Todos nós somos.
Só que cansei de abrir mão de demonstrar minha tristeza, minhas paixões, meu afeto e muitas das minhas idéias. Cansei de tentar me manter alegre o tempo todo para passar segurança e tranquilidade para todos nós. Até por que é sempre mais fácil viver quando estão todos sempre alegres, independentemente da veracidade do sorriso.
Sim, muitas vezes me sentí desconfortável e mentiroso.
Sim, muitas vezes odiei atitudes e palavras que saíam da boca de vocês.
Me sentí humilhado e acuado algumas vezes.
Sentí saudades do passado e de ser os muitos que fui antes de conhecê-los.
Mas acima de tudo, amei cada um da melhor forma que pude.
Seremos irmãos bastardos para o resto da vida.
Cheios de defeitos e manias terríveis, mas com uma ligação indescritível.
Espero que pelo menos entendam minhas atitudes daqui para frente, preciso recuperar meu orgulho próprio para quem sabe encontrar o amor que busco a tanto tempo.
Desejo que nosso maior medo nunca se realize e que nosso Rock n Roll seja cantado para sempre!


Por: Yuri Pospichil

quarta-feira, 23 de março de 2011

Passagem


A julgar pela janela fechada,
A porta trancada
E a luz quase nula.

A vida de outrora além de cansada
Mudara de estrada e partiu sem olhar.

E quando a noite chegava à um mundo em festa
Onde metade dormia e a outra cantava,
O morto-vivo com dias sonhava.

Mas não daqueles que a janela mostrava ou o som denuncia.
Eram dias de cor desbotada,
Com cheiro de livro e geladeira vazia.

E ao contrário do que todos pensavam,
Não tinha nada a ver com orgulho ou ser o que queria.

Era sobre carregar no peito uma busca e uma bússola
Que com teimosia apontavam o sul.

Por isso sentar-se em frente à sí mesmo
Não era opção ou tão pouco uma escolha.

Era a saída, a trilha de volta pra vida
Que a muito tempo o deixou.

Sendo assim...

Que assim seja...


Que assim seja...



Por: Rimini Raskin



terça-feira, 15 de março de 2011

About Candies and Searches (música)




In my dreams you make me fly,
And when i wake i feel the taste
Of your candies and spacial bikes.
So i turn to sleep again.

You are my soldier, soldier.
And i am your lover untill the end.

When the trees became our guides
we create our proper place.
With nights full of surprise
and colourful mistakes.

You are my brother, brother.
And i am your follower untill the end.


Por: Rimini Raskin

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A Street Called Emptiness (música)



Locked alone inside his room
The days would pass more fast
To proof that world outside
Was dying like a plastic tree
with no plastic roots.
The screaming voices come in waves
Painting dreams in paper planes
Playing with his own mind
A game which makes him blind

Through her window a silver moon
spread her whispers through the room
The walls became so tight
And soon the meds will take the light to roof.
Maybe the boy in the shining screen
Could be right about her fears
And both can find the door to a new way out
A world with no one god
Where they finally can be the stars

Por: Rimini Raskin

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Pessoal Jovem



Se eu te dissesse coisas que eu fiz antes
Te dissesse como eu costumava ser
Você iria junto com alguém como eu?
Se você conhecesse minha história palavra por palavra
Tivesse toda a minha história
Você iria junto com alguém como eu?

Eu fiz antes e tive minha parte
Que não me levou a lugar nenhum
Eu iria junto com alguém como você.
Não importa o que você tenha feito.
Com quem você estivesse amarrado
Nós poderíamos ficar por aí e ver esta noite inteira.

E nós não nos importamos com o pessoal jovem
Falando sobre o estilo jovem
E nós não nos importamos com o pessoal velho
Falando sobre o estilo velho também
E nós não nos importamos com nossos próprios erros
Falando sobre nosso próprio estilo
Tudo o que nos importa é conversar
Conversando somente eu e você.

Geralmente, quando coisas iam longe
As pessoas costumavam desaparecer
Ninguém irá me surpreender a menos que você o faça

Eu posso dizer que há algo acontecendo
Horas parecem desaparecer
Todos estão partindo, eu ainda estou com você

Não importa o que façamos
Onde nós iremos também
Nós poderíamos ficar por aí e ver esta noite inteira.

E nós não nos importamos com o pessoal jovem
Falando sobre o estilo jovem
E nós não nos importamos com o pessoal velho
Falando sobre o estilo velho também
E nós não nos importamos com nossos próprios erros
Falando sobre nosso próprio estilo
Tudo o que nos importa é conversar
Conversando somente eu e você.


Por: Peter Bjorn and John

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Of Babies, Names and the Other Games (música)


Of babies, names and the other games.
We sit in the dark with a little flame.
Spinning around, living with no blame.
The little king now is ready to came...

You will come to take away
All the pain and sadness.
You'll be a star

Of babies, names and the other games.
We sit in the ground with our heads in space,
Looking around, imagining your face.
The chosen one now is ready to came...

You will come to take away
All the rain and emptiness.
You'll be the light.


Por: Rimini Raskin

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Shining Ride (música)


Keep your words for a better place,
We'll be kings without crown or mace.
Don't face your sun for a long time, love.
Don't blind your chest before we go...

We wait a light in my yard,
For a shining ride to the soundless pains paradise
A place between our love and hate
And the sparkles hidden stars

Por: Rimini Raskin

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Chuva de Sorvete I, II


E todos queriam sair, pular,
correr, se libertar.
Estavam descansando em águas azuis.
Águas limpidas, águas frescas.
E isso era errado?
Ver as pessoas passarem,
sentadas nas paradas.

E chovia sorvete naquele dia.
O tempo indicava calor,
mas todos estavam gelados.
Como num circulo: ora quente, ora frio.

E a Terra girava.
E as pessoas lá dentro giravam por consequencia.
E assim como era normal para a Terra,
não era normal para eles.

Cada egoísta no seu caminho,
cada grupo acorrentado.
Cada passo dado fora da estrada indicava apocalipse.
Cada passo errado era um tempo sem tempo.

Cada giro era normal.
Cada passo anormal.
Cada inverno era um inferno.
E cada calor infernal era um paraíso tropical.

Não havia nada de fenomenal.
E a ignorância pura era normal.
Não havia capacidade de mudança.
Não havia inteligencia para se ter esperança.

Só havia nuvens.
Nuvens de sorvete.
_________________________________________


O correto seria dizer que chovia limão.
Tão ácido, tão gelado, tão refrescante, tão ardente.
Se chovesse morango estaria tudo no seu lugar novamente.
Se chovesse melancia, morreríamos.
Se fossem cocos, abririam.
Esperando uma chuva que não vem...
Que cai e molha
que evapora e vai embora.


Por:

domingo, 30 de janeiro de 2011

Sintaxelagnia


O desejo de sintetizar o mundo
Despeja saudades profundas no abismo.
Pondo em cada tecla de memória, uma história.
E em toda onda curta, uma nova onda curta.

Sintetizar o mundo com vocais profundos,
Como se a importância orgânica fosse nula
E cada introspectivo sentimento
apontasse para os meus sapatos.

Sintetizar o corpo para plastificar
de forma doce minhas paixões
E intensificar o pulso mecânico do coração.

Sintetizar as sombras alheias.
Programar o sol e o brilho dos dias.
Aspirar nuvens de sonhos dispersos.

Sintetizar a vida como a conhecemos.
Compor crianças de sorriso sincero.
Queimar dicionários em fogueiras eletrônicas
E proclamar o nascimento de uma nova língua.

Sintetizando as formas
Encontrei essências e libertei idéias.
Renovei a mente.
Libertei-me de demônios
que não me deixavam criar.

Por: Rimini Raskin

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Comentário


Não é estranho como nos "finais" sempre existe
mais conteúdo do que nos "começos"?
Talvez seja essa necessidade humana (muito pouco admitida)
de sofrimento e melancolia.
Linhas tristes são densas,
tocam fundo em um lugar comum à quase todos nós.
Porém funcionam como lindos pássaros de coloração neón
e asas cortadas.
Encantam nossa noite mais escura, mas nunca saírão dela.
Esse é um conselho que deram à mim
(e eu mesmo me dei algumas vezes) por anos,
mas que ironicamente nunca funcionou como deveria.
O passado serve de consulta da alma e o presente de deserto pueril
cheio de possibilidades de criação.
Mas só um coração capaz de imaginar o futuro ficará marcado na história
com a grandiosidade que todo artista almeja.
Desabafar é uma delícia,
mas ousar sonhar o que ainda não aconteceu...é bem mais revigorante!

Por: Yuri Pospichil


Extraído de um comentário feito
sobre um texto de Aninha

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Céu de Baunilha

A vontade que tenho é de amar-te ao contrário.
Beijar-te dos pés à cabeça,
Concentrar-me na boca e nos joelhos.
Olhando de costas para ensaiar
uma chegada em cada partida.

Convidar-te para um jantar onde a comida
foi substituída por carícias.
Um piquinique onde não há praça ou toalha xadrez,
Apenas olhos e luzes e silêncio.

Quero-te à minha frente, correndo.
E para não poder alcançá-la, ficarei imóvel.
Pois só um amor ao contrário é amor,
E só o contrário do amor é completo.

Na última cena nos vejo quietos,
Cansados de correr de costas um para o outro.
Deitados em um céu de baunilha,
Admirando lá em cima a verdura da grama!


domingo, 16 de janeiro de 2011

Preciso Tentar


Quando lembro de quem costumava ser,
escondo o rosto no espelho.
Envergonho-me do que à muito tempo ousei provar.
E pergunto à mim mesmo quem acredito enganar
com essas novas aspirações à bom menino.

No fundo da cela alguém rí do que se tornou.

Olha em volta e vê o mundo novo que criei!
A nova vida cheira à plástico quente
como brinquedos recém saídos da caixa.
Matei o lado escuro e afoguei o diferente
para entregar-me à força.

À minha própria força!

Confesso os antigos pecados
com um misto de receio e pudor.
Sensações que multilaram o orgulho sádico de outrora.
Uma máscara que cala a confissão tranquila
Ou pelo menos que me tira a liberdade
de duvidar das próprias incertezas.


Há um novo som ensaiando inundar o peito;
Espero que não seja uma canção de adeus.

Pois até os vizinhos antigos usam novos nomes
e gritam mandamentos de suas janelas.

"...Anestesia é o contrário da paixão!
Normalidade é o carrasco do lirísmo!
Esforço é o assassino do instinto!
Mas só o amor é inimigo do amor!..."

Boa hora para lembrar de esquecer!



Por: Rimini Raskin

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Lembre-se de um dia



Lembre-se de um dia anterior ao hoje.
Um dia quando você era jovem.
Livre para brincar sozinho com o tempo.

A noite nunca vinha!

Cante uma melodia
que não pode ser cantada sem beijos matutinos.
Rainha!
Você poderá ser o que desejar
Procure por seu rei

Por que não podemos brincar hoje?
Por que não podemos ficar daquele jeito?

Suba na sua macieira predileta,
Tente capturar o sol,
Esconda-se da arma do seu irmãozinho,
Sonhe contigo ausente!

Por que não podemos alcançar o sol?
Por que não podemos soprar os anos para longe?

Soprar para longe
Soprar para longe
Lembre-se
Lembre-se


Por: Richard Wright